¤ Home
¤ Augusto Ruschi
¤ André Ruschi
¤ Casa Augusto Ruschi
¤ Parque Florestal Augusto Ruschi
¤ Santa Teresa - ES
¤ Chapada Diamantina
¤ Estação de Biologia Marinha
¤ Projeto Arca de Noé
¤ Mineração Sub-Aquática
¤ Colibris
¤ Livros
¤ Galeria de Fotos
¤ Agenda e Custos
¤ Pesquisas
¤ Cursos
¤ Excursões
¤ Estágios
¤ Localização
¤ Alojamento e Camping
¤ Contato
 



ALGAS CALCÁRIAS EM SANTA CRUZ, ES

 

Rio Doce

O Rio Doce é a quinta maior Bacia Hidrográfica do Brasil, e uma das mais antigas, com mais de 2 bilhões de anos. Durante todo este período, a drenagem dos nutrientes e produto da erosão do planalto central brasileiro, tiveram no Rio Doce seu grande Canal. Bilhões de toneladas de solos, minerais e nutrientes cobriram áreas de mais de 400.000 km2, no mar e no continente do litoral do Estado do Espírito Santo.

Entre Vitória e o Arquipélago de Trindade ocorreu uma fissura da crosta terrestre, em períodos além de 230 milhões de anos anteriores aos tempos atuais. Esta fissura criou inúmeros vulcões, cujas erupções criaram depósitos de materiais com alto teor de carbono, cobrindo enormes bancos de algas calcáreas e posteriormente florestas. Destes depósitos, originaram-se reservas de petróleo, gás e outros minerais abundantes na plataforma continental do Estado do ES, que concentra 83% de todas as reservas minerais marítimas brasileiras. A cadeia de vulcões permanece como um conjunto de montanhas submarinas, da qual o morro do maciço central de Vitória, Morro do convento da Penha, Monte Mestre Alves, Ilha dos Pacotes (em frente a vitória) e Ilha de Trindade a 1300 kms da costa do ES, são os picos extremos. A profundidade média ao longo da cadeia submersa de montanhas é de 3.500 ms de profundidade. Abaixo destas montanhas ainda permanece a fissura da crosta terrestre.

Entre a foz do rio Doce e Vitória ocorrem o encontro de correntes oriundas do sul e do norte, tornando-se a região o encontro do Oceano Atlântico Tropical com o Oceano Atlântico Sub-tropical. Considera-se o rio Doce como o marco de início da região tropical no mar e no continente. Entre o rio Doce e Cabo de São Tomé, é a região de transição zoogeográfica e fitogeográfica entre o tropical e o sub-tropical. Abaixo de Cabo Frio já é sub-tropical.

Nas regiões nordeste e leste do ES, o fundo da plataforma continental é formado principalmente de algas calcáreas e por uma grande biomassa de algas marinhas, que cresce sobre elas. Os estoques de lagostas e peixes, característicos de fundos duros da região, é sustentado direta e indiretamente por algas marinhas. Em Santa Cruz, as Laminarias também estão presentes na parte mais profunda da área . O resto da Zona contêm abundantes sedimentos calcáreos porém as formações de algas calcáreas ( Halimeda e Lythothamiun) não são tão abundantes na parte sul. Os sedimentos destes rios e a influência de águas de menor temperatura limitam o crescimento de corais. ( Palacio, F.J.,1982).

Em geral a biota é muito bem representada por invertebrados marinhos e algas, ocorrendo todos os grupos de invertebrados e em grandes populações, superior ao costão rochoso granítico. O médio e o infralitoral estão ricamente representados e há de se destacar a impressionante quantidade de população de organismos que vivem de sedimentos e detritos do solo marinho, como poliquetos e pepinos do mar, ocorrendo em quantidades na escala de centenas/m2. Tal riqueza demonstra que o solo marinho é riquíssimo em nutrientes, razão pela qual inúmeros organismos vivem em cadeia integrada associada às algas vermelhas ( calcáreas ) e pardas.

Trata-se portanto de uma verdadeira borda viva exercendo o papel de filtrador e retentor de nutrientes, numa cadeia alimentar de ciclo quase fechado, tal qual os manguezais

 

Função CO2

As algas calcárias são os organismos que mais concentram o carbonato calcáreo em seu corpo de todos os organismos do planeta, formando verdadeiros arrecifes naturais aonde se prendem várias outras espécies de algas e corais. Geralmente, os arrecifes de corais vivem associados aos bancos de algas calcáreas, nas quais se fixam e dependem como base física. O desenvolvimento médio de uma alga calcárea é de cerca de 1mm/ano. Portanto, os exemplares pequenos têm em torno de 40 anos, e os grandes, 200 a 300 anos. A recolonização de um espaço impactado por dragagem de algas calcáreas, é o tempo da dispersão e desenvolvimento das algas + tempo de recolonização animal. Isto pode representar de 3 a 15 séculos. A presença destas algas calcáreas em bancos vivos é associada com um conjunto complexo de espécies de invertebrados. Este conjunto de seres vivos são os recicladores de nutrientes e fixadores de CO2 mais importantes do ciclo da vida. Pode-se dizer que a principal função da alga calcárea nos ecossistemas é a fixação do CO2. Suas origens remontam a cerca de 600 milhões de anos, quando a atmosfera do planeta possuía altíssimas concentrações de CO2, fruto da intensa atividade vulcânica do planeta, evoluindo pois, a partir de adaptações específicas à presença de altas taxas deste gás. Somente a partir do desenvolvimento destas algas é que o planeta resfriou, criando condições para o desenvolvimento da vida terrestre. Embora as outras algas também fixem o CO2, somente as calcáreas o mineralizam sobre a forma de carbonato. É pois uma função única no reino vegetal, somente equiparada pelos crustáceos e moluscos no reino animal. Mas estes também dependem dos habitats das algas calcáreas em boa parte. As florestas tropicais na sua atividade de foto-respiração e biossíntese eliminam a mesma quantidade de CO2 que absorvem, não influenciando pois na taxa de fixação do CO2. Isto é, não são sumidouros de CO2 permanentes. Apenas movimentam este gás num ritmo diário que ajuda a condicionar a temperatura e o clima. Já os bancos de algas são os legítimos sumidouros de CO2 e entre estes, as algas calcáreas são os principais. Os pontos preferenciais de concentração das algas calcáreas são os situs regionais que possuem as condições mais favoráveis de correntes, ventos, marés, aporte de nutrientes, temperatura e biodiversidade associada. Estes situs devem ser preservados na sua totalidade sempre que possível pela sua importância funcional no equilíbrio da concentração de CO2 na atmosfera planetária.

De todos estes situs no país, quiçá do mundo, o mais importante é o do ES, localizado na ampla região de Guarapari até São Mateus, sendo o de Aracruz, o mais representativo. Não se conhece outro banco de algas calcáreas desta dimensão e estima-se que seu poder de assimilação do CO2 atmosférico, aproxima-se a 5% de todo o conteúdo deste gás na atmosfera do planeta.

 

A BACIA HIDROGRÁFICA DO PIRAQUEAÇU, SUA RELAÇÃO COM O RIO DOCE E AS ALGAS CALCÁREAS EM SANTA CRUZ, ARACRUZ, ES

A Bacia Hidrográfica do Piraqueaçu compreende dois rios principais : Piraqueaçu e Piraquemirin, com uma extensão de 65 km , e área de 73.380 ha, com sua nascente no município de Santa Teresa, caracterizando-se por altitudes de 1000 ms nas nascentes em área de reserva florestal do IBAMA 3.500 ha , e a partir das terras baixas , Florestas dos Tabuleiros ou Sempre verdes (úmidas) e Floresta de Galeria, margeando o corte dos tabuleiros na cota de 20 ms . (Ruschi, A , 1950. “Fitogeografia do Estado do Espírito Santo”. Bol. MBML, Botânica,1:1-353.)

Na sua área marítima o fundo pode ser limoso, arenoso ou rochoso. Na região predomina o fundo rochoso em barreiras com regiões arenosas entremeadas até cerca de 5 km da costa, com algumas faixas limosas e depressões em vagas calcáreas. Além da faixa dos 5 km há grandes extensões limosas. A região rochosa é coberta de algas, muito rica, com mais de 83 espécies de algas identificadas , o que é 4 vezes superior a ricos ambientes marinhos, como Abrolhos , com grande variedade de micro-ambientes ocupados por quase todos os grupos de invertebrados ( mais de 1000 espécies) , que têm seu ciclo de vida de alguma maneira associada ao ecossistema de mangue adjacente. Em geral a biota é muito bem representada por invertebrados marinhos e algas, ocorrendo todos os grupos de invertebrados e em grandes populações, superior ao costão rochoso granítico.

Entre os principais grupos citamos : moluscos (+ de 300 espécies ); equinodermas (+ de 30 espécies ); crustáceos (+ de 250 espécies ); espongiários ( + de 20 espécies); celenterados (+ de 70 espécies); poliquetos (+ de 60 espécies); peixes (+ de 300 espécies); algas ( + de 120 espécies). As anêmonas, ouriços, ofiuróides, estrelas, caranguejos, camarões, lulas, polvos, lesmas, bivalvos, caramujos, siris, esponjas, zoantídeos, poliquetos e tantos outros animais e algas encontram esta diversificação de micro habitats com inúmeras oportunidades de sobrevivência distintas e específicas.

A ocorrência de concreções limoníticas na orla marítima está restrita principalmente entre Barra do Say e Manguinhos, sendo a maior concentração entre Praia dos Padres( Aracruz) e Capuba (Jacaraípe) , que corresponde à principal área de acolhimento dos materiais carreados pelo rio Doce ao sul. Neste trecho de 50 kms ocorrem vários rios, riachos, igarapés, complexos lagunares litorâneos com mangues de estuários e mangues litorâneos. Na própria praia ocorrem várias nascentes diluindo parcialmente a salinidade nas poças da faixa mais alta da zona de inter-maré.

As concreções limoníticas funcionam como um filtro biológico de sedimentos da ressurgência provocada pelo Rio Doce e quebra dos restos de algas calcáreas, criando um fundo limoso que se deposita nas suas reentrâncias e fendas. A diluição das águas drenadas dos tabuleiros pelas nascentes litorâneas e riachos, com este fundo limoso criam ambiente propício para as plantas de mangue.

O Ecossistema específico em questão é uma formação rara , resultado da combinação de diversos fatores e ambientes específicos e exclusivos desta região geográfica. As concreções limoníticas associadas ao crescimento de corais e algas calcáreas recebem o nome de rochas eofíticas, e o bioma é costão rochoso eofítico pantanoso devido aos mangues de estuários e mangues litorâneos ou mangue de franja. O costão rochoso eofítico pantanoso é portanto um sub-tipo de costão rochoso associado ao mangue litorâneo, característico da região, e ocupa em alguns trechos até a distância de 1000 ms de extensão da linha de praia durante a baixa mar. Na sua extensão devido ao gradiente de umidade, estão estabelecidos zonas de ocorrências de organismos de acordo com o grau de resistência à ausência de umidade. Trata-se portanto de uma verdadeira borda viva exercendo o papel de filtrador e retentor de nutrientes, numa cadeia alimentar de ciclo quase fechado, tal qual os manguezais.

A fragilidade deste sistema na orla, está exatamente na revirada das pedras para mariscagem de polvos e lagostas, expondo a face inferior das rochas ao sol, aonde vivem incrustados esponjas e corais, ao lixo contaminante da cadeia, à retirada da vegetação do mangue, à retirada das algas calcáreas e areais de origem biogênica das praias e/ou de áreas muito próximas à orla.

O movimento das águas e os ventos locais geram uma área de afloramento ao sul do Rio Doce. Na zona sudeste ocorrem sedimentos terrígenos no delta do rio Doce. O resto da Zona contêm abundantes sedimentos calcáreos porém as formações de algas calcáreas não são tão abundantes na parte sul. A macrorregião sobre influência do Rio Doce e Ecossistemas associados vai portanto de Cabo Frio até Abrolhos, onde ocorrem 1/3 de toda a produção pesqueira do BRASIL. ( Ruschi, A , “Breve descrição dos Ecossistemas da Estação Biologia Marinha Ruschi e regiões próximas em Santa Cruz,” ES.13 pgs.S.Cruz, 1993.)

O relatório do CNISO-1998, p. 90-91 , “O Brasil e o Mar no Século XXI”, aponta que uma das 6 faixas de ocorrências de sedimentos carbonáticos na costa brasileira , está compreendida entre Ilhéus ao Sul de Guarapari, estando o estoque brasileiro estimado em 550 milhões ton. E o estoque do ES em 460 milhões ton., isto é, 85% da reserva nacional. A origem deste estoque fabuloso vem desde às épocas da origem das próprias algas calcáreas, a 600 milhões de anos, quando elas evoluíram e desenvolveram-se , auxiliando a proporcionar o resfriamento da atmosfera pela absorção do excesso do CO2. Até a aproximadamente 20 milhões de anos havia uma intensa atividade vulcânica na região, propiciada por uma cadeia de vulcões desde o Arquipélago de Trindade até a região de MG, passando exatamente pela ilha de Vitória, Morro do Mestre Álvaro, Convento da Penha, em linha reta, todos vulcões extintos hoje. Mas no passado jogaram bilhões de toneladas de resíduos com grande quantidade de carbono. A lava vulcânica em contacto com as algas calcáreas são a principal fonte de origem do petróleo . Nas regiões nordeste e leste do Estado do Espírito Santo, o fundo da plataforma continental é formado principalmente de algas calcáreas e por uma grande biomassa de algas marinhas, que cresce sobre elas. As descobertas de petróleo e gás na plataforma submarina são o testemunho desta história. Os estoques de lagostas e peixes, característicos de fundos duros da região, é sustentado direta e indiretamente por algas calcáreas . Em cima deste substrato, que é associado à fauna, é que se desenvolve uma das mais ricas composições florísticas marinhas conhecidas do ES. Esta área marinha responde pela garantia de manutenção de grande parte da produção pesqueira do estado . Somente em Aracruz a colônia de pesca possui mais de 700 pescadores oficialmente cadastrados, com mais de 4000 pessoas dependentes diretamente dos recursos marinhos oriundos destes ecossistemas e adjacências. As tartarugas marinhas, objeto de proteção do projeto TAMAR do IBAMA, têm esta área como área de alimentação e crescimento. Dentre as mais de 1000 espécies de invertebrados marinhos, dezenas são exclusivas ou desconhecidas para outras partes do planeta.

Por estas razões, Augusto Ruschi, o patrono Nacional da Ecologia elegeu a região de Santa Cruz como sede da Estação Biologia Marinha Ruschi em 1970, para estudos e ensino da biologia e ecologia marinha.

As algas calcáreas são os organismos que mais concentram o carbonato calcáreo em seu corpo de todos os organismos do planeta, formando verdadeiros arrecifes naturais aonde se prendem várias outras espécies de algas e corais. Geralmente, os arrecifes de corais vivem associados aos bancos de algas calcáreas, nas quais se fixam e dependem como base física. O desenvolvimento médio de uma alga calcárea é de cerca de 1mm/ano. Portanto, os exemplares pequenos têm em torno de 40 anos, e os grandes, 200 a 300 anos. A recolonização de um espaço impactado por dragagem de algas calcáreas, é o tempo da dispersão e desenvolvimento das algas + tempo de recolonização animal. Isto pode representar de 3 a 15 séculos. A presença destas algas calcáreas em bancos vivos é associada com um conjunto complexo de espécies de invertebrados. Este conjunto de seres vivos são os recicladores de nutrientes e fixadores de CO2 mais importantes do ciclo da vida , sendo consideradas um dos principais depósitos de carbonato do mundo e muito provavelmente apresentam um importante papel na retenção de parte do carbono lançado na atmosfera, com possíveis implicações no ciclo global do carbono e nas mudanças climáticas que vêm ocorrendo no planeta.

Pode-se dizer que a principal função da alga calcárea nos ecossistemas é a fixação do CO2. Embora as outras algas também fixem o CO2, somente as calcáreas o mineralizam sobre a forma de carbonato. É pois uma função única no reino vegetal, somente equiparada pelos crustáceos e moluscos no reino animal. Mas estes também dependem dos habitats das algas calcáreas em boa parte. As florestas tropicais na sua atividade de foto-respiração e biosíntese eliminam a mesma quantidade de CO2 que absorvem, não influenciando pois na taxa de fixação do CO2. Isto é, não são sumidouros de CO2 permanentes. Apenas movimentam este gás num ritmo diário que ajuda a condicionar a temperatura e o clima. Já os bancos de algas são os legítimos sumidouros de CO2 e entre estes, as algas calcáreas são os principais.

Os pontos preferenciais de concentração das algas calcáreas são os situs regionais que possuem as condições mais favoráveis de correntes, ventos, marés, aporte de nutrientes, temperatura e biodiversidade associada. Estes situs devem ser preservados na sua totalidade sempre que possível pela sua importância funcional no equilíbrio da concentração de CO2 na atmosfera planetária. De todos estes situs no país, o mais importante é o do ES, localizado na ampla região de Guarapari até São Mateus, sendo o de Aracruz, o mais representativo.

Nos últimos 24 meses aproximadamente, vem se intensificando a coleta de algas calcáreas vivas e mortas, e areias biogênicas por catadores e empresa Thotham Mineração , na orla marítima, zona de inter-maré , Barra do rio Piraqueaçu e praias de Santa Cruz, no município de Aracruz, , onde a atividade é exercida na orla, no costão rochoso e manguezal, durante o período de maré baixa, e às vezes no próprio solo de restinga, causando alguns tipos de impactos ambientais:

a) modificação da estrutura do solo e substrato da comunidade bentônica da faixa de inter-maré;

b) início de erosão na borda ou entradas dos manguinhos regionais , praias e restingas;

c) fragilização da estrutura de fixação da vegetação de mangue e início de sua supressão.

A área escolhida pela Thotham Mineração, numa possibilidade de 250 km de costa com alga calcárea no ES , foi o trecho localizado exatamente no meio do principal situs destes 250 km, o que é funcionalmente, a parte mais nobre deste ecossistema, em Santa Cruz, na frente da barra do estuário do Rio Piraqueaçu. Na principal área desta linha do miolo é aonde pretende-se fazer a mineração de algas calcáreas vivas e mortas.

A escolha do local foi baseada em critérios econômicos de interesse exclusivo do empreendedor para o seu sucesso pessoal, e não poderia ser mais infeliz do ponto de vista ambiental e coletivo.

Enquanto o último congresso nacional sobre Zona Costeira e o mundial sobre Clima tiraram como prioridade a conservação dos recursos da zona costeira do ES e os sumidouros de CO2 do planeta, vamos autorizar a dilapidação destes mesmos recursos, com o agravante de ser a barra do estuário do 5o maior manguezal da América Latina? É o mesmo que se indispor com a disposição principal da humanidade. A retirada de algas calcáreas e areias biogênicas na orla ou próximo à zona costeira altera a condição dos manguinhos, altera a paisagem , altera a estabilidade geológica, altera a biodiversidade, altera o fluxo gênico da fauna e flora, altera o solo, altera a atmosfera e prejudica o bem estar das populações humanas. A importância ambiental desta área é suficiente para justificar um programa de proteção especial para toda a orla central do Estado do Espírito Santo. Portanto, esta área deve ser preservada para benefício das comunidades no presente e no futuro, e nenhuma atividade de impacto e interferência pode ser permitida sobre risco de extinção de espécies, prejuízo de reprodução, diminuição de produção pesqueira e extinção de empregos diretos relacionados à pesca e turismo, erosão da orla, além da supressão de cultura e conhecimentos tradicionais únicos e particulares à esta região do planeta Terra com ecossistemas específicos e raros. O conjunto dos fatores: a) litoral rochoso; b) manguezais; c) estuários; d)correntes; e) situs geográfico de transição zoológica, botânica e geográfica de tropical para sub-tropical constituem juntos os elementos necessários à formação de um ecossistema marinho ímpar de todos os oceanos do Planeta Terra , ao qual podemos denominar de PARQUE MARINHO DE SANTA CRUZ.

Para tanto cumpre-nos desde já a responsabilidade de estabelecer as metas de conservação destes ambientes com as seguintes práticas: 

A) Não realizar-se mineração na orla marítima até a faixa de 5 km, e a partir daí , nunca sobre bancos de algas vivas e sítios de reprodução.

B) Não realizar mineração em áreas de manguezais, estuários , baías e sítios de especial importância ecológica.

 

Fonte: André Ruschi, biólogo/ecólogo 5 de junho de 2001